Como montar uma memória de cálculo que ninguém derruba
Memória de cálculo é o documento que mostra como se chegou ao valor. Em cobrança extrajudicial ela acelera o acordo; em juízo, evita que a conta seja impugnada e devolvida ao contador.
O que toda memória precisa ter
- Origem do valor: nota fiscal, contrato, cláusula, data de vencimento.
- Índice aplicado, com sigla e órgão ("IPCA/IBGE"), e a fonte da série.
- Período: mês inicial e mês final, com a convenção adotada sobre o mês inicial.
- Fator acumulado com ao menos seis casas decimais.
- Juros: taxa, regime (simples ou composto), termo inicial e número de meses.
- Multa: percentual e base de incidência.
- Total, com data de atualização.
Ordem de aplicação
1. principal corrigido = principal × fator do índice
2. juros = principal corrigido × taxa × meses (ou composto)
3. multa = principal corrigido × percentual
4. subtotal = 1 + 2 + 3
5. honorários = subtotal × percentual
6. total = subtotal + 5
Qualquer variação nessa ordem precisa ser justificada — em geral por cláusula contratual ou determinação judicial.
Parcelas com vencimentos diferentes
Cada parcela é uma dívida com termo inicial próprio. Não corrija a soma pelo vencimento da primeira nem pelo da última: monte uma linha por parcela, corrija cada uma e some no fim. É o erro que mais aparece em cobrança de aluguel atrasado e de cotas de condomínio.
Erros que geram impugnação
- Índice do mês inicial aplicado quando a convenção era excluí-lo (ou o contrário);
- Soma de variações percentuais em vez de produto de fatores;
- Selic somada a índice de preço;
- Juros capitalizados sem previsão;
- Multa sobre base que já inclui juros, sem previsão;
- Uso de IGP-M quando o contrato diz IGP-DI (ou INCC-M em vez de INCC-DI);
- Falta da data de atualização — a conta "vence" e precisa ser refeita.
Como este site ajuda
Toda calculadora do Corrigir Valor imprime a memória mês a mês com fator acumulado, valor corrigido, juros, multa e a fonte da série. O botão "Imprimir / PDF" gera uma página limpa, sem menu nem anúncio, para anexar ao processo ou à notificação. O link do cálculo também é compartilhável: a outra parte abre exatamente a mesma conta.
Conferindo a conta da outra parte
Refaça o cálculo com os mesmos parâmetros e compare linha a linha. Se o total divergir, a origem quase sempre está em um destes quatro pontos: índice, mês inicial, regime de juros e base da multa. Aponte o item divergente e apresente o número correto — impugnação genérica costuma ser rejeitada.
Veja também: juros simples e compostos e correção de dívida judicial.
Modelo de demonstrativo
DEMONSTRATIVO DE DÉBITO ATUALIZADO
Origem: NF 1234, vencida em 10/03/2024
Principal: R$ 5.000,00
Índice: IPCA/IBGE (série 433 SGS/BCB)
Período: abr/2024 a jul/2026 (28 meses)
Fator acumulado: 1,0912345
Principal corrigido: R$ 5.456,17
Juros de mora: 1% a.m., simples, 28 meses (28%)
Juros: R$ 1.527,73
Multa contratual: 2% sobre o corrigido
Multa: R$ 109,12
TOTAL EM 24/08/2026: R$ 7.093,02
Esse é o esqueleto que a calculadora imprime. Ajuste os campos ao seu caso e mantenha a data de atualização visível — sem ela, o documento perde validade prática em poucos dias.
Atualização até o efetivo pagamento
Toda cobrança deve dizer que o valor será atualizado até o pagamento. Duas formas de fazer isso: informar o valor em uma data e o critério de atualização, ou fornecer o link do cálculo — que refaz a conta com o índice mais recente sempre que aberto. O link compartilhável de cada cálculo aqui serve exatamente para isso.
Guardando a prova da fonte
Se o índice for questionado, é preciso mostrar de onde veio. As séries usadas neste site são as do SGS do Banco Central, com número identificador em cada página de índice (por exemplo, série 433 para o IPCA). Cite o número da série e a data da consulta: é a forma mais rápida de encerrar a dúvida sobre a origem do dado.